...em que não acreditamos que lutar por algo valha a pena, se não tirarmos directamente vantagem disso.
...em que, por ser tempo de paz, não temos de matar para sobreviver, mas não sabemos viver.
...em que mais vale ser desonesto, do que ficar atrás de outros.
...em que o voto, deixou de significar liberdade de escolha, para significar ilusão de mudança.
...em que um miúdo da primeira classe que não sabe ler, tem um smartphone que custa dois ordenados mínimos.
...em que defendemos mais os animais (touros, cães e outros que tais), do que as pessoas.
...em que defendemos mais as tradições (touradas, largadas e outras que tais), do que as pessoas.
...em compramos um tablet, onde escrevemos o que precisamos para poupar papel, mas nos esquecemos da criança que o montou numa fábrica remota de um país remoto.
...em que pensamos que a função de mudar as coisas é da pessoa que está ao meu lado e não minha.
...em que num dia de greve, vamos trabalhar, e depois vemos as notícias, para mesmo assim ter esperança que os outros tenham tido força para mudar algo.
...em que o líder, muitas vezes, é o primeiro a não ir pelo caminho que sugeriu.
...em que o chefe, quase sempre, não vai pelo caminho a que obrigou os outros.
...em que o seguidor, raramente, acredita na opinião do líder.
...em que o subordinado, nunca confia no caminho que o chefe lhe obrigou a percorrer.
...em que uma profissão só é valorizada quando precisamos directamente dela: o professor, quando me ensina, o médico quando me cura, o bombeiro quando apaga o fogo perto da minha propriedade, o jornalista quando tem o meu ponto de vista, o militar quando me defende, o polícia quando prende o meu assaltante...............de resto, quando não preciso deles são inúteis e parasitas.
...em que não me apercebo do meu egoísmo e das necessidades do meu vizinho.
...em que fico comovido com a campanha de angariação de fundos "daquele país longínquo do outro lado do mundo" mas esqueço-me das pessoas com fome na minha terra, mesmo sabendo quem são.
...em que compro um carro luxuoso, mesmo que não tenha dinheiro para comer ao jantar.
...em que me preocupo mais com o meu dia-a-dia que com o país que deixarei para os meus filhos e netos.
...em que fico tão chateado quando me multam, que nem reconheço a minha culpa.
...em que se me roubarem uma nota na rua, fico encolerizado, mas se me roubarem no ordenado aceito dogmaticamente.
...em que ficamos mais tristes com a derrota de uma equipa desportiva que com opressão.
...em que liberdade de expressão já tem quase o mesmo significado de mentira.
...em que personalidade forte serve como desculpa de mau feitio.
...em que os regulamentos existem, mas não são cumpridos.
...em que...
Tantos mais "em que's"...
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| "Eu também sou desta geração em que..." |




