quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Apeles effect

Andava eu a deambular pelo mundo da mitologia, quando deparei com uma personagem deveras curiosa: o pintor Apeles! Considerado o maior pintor da antiguidade clássica, nenhuma obra dele sobreviveu até aos dias de hoje. Sabe-se porém da sua importância, pelos escritos, pela informação histórica (o rei Filipe da Macedónia, o seu filho Alexandre,o Magno e todos os seus generais lhe pediram para ficar por ele pintados) e porque foi a príncipal inspiração a nível da pintura no Renascimento.

 Tudo isto para dizer..."um tipo importante, portanto!"

Porém, e apesar destas caracteristicas todas, é como Pirro, cuja batalha ninguém se recorda, mas todos sabem o que se diz sobre ela...(se não se recordam, esperem por outro post...).

Apeles, sendo famoso e o melhor do seu tempo (tipo "Mourinho" da pintura clássica), era muito humilde (pronto, já não era o Mourinho do seu tempo)! Um dia, um sapateiro, detectou-lhe um erro numa das sandálias que tinha pintado e Apeles, prontamente se aprontou a corrigir o erro e assim, a aproximar mais a sua pintura, à perfeição. A história teria sido fantástica, se tivesse ficado por aqui....mas não ficou!
Ora o dito sapateiro, cujo nome ninguém sabe, depressa lhe subiu à cabeça o facto de Apeles, a Lenda, ter ouvido um conselho seu, e logo de seguida se despachou a encontrar outro defeito na obra de arte, dizendo agora, que os joelhos de uma das personagens não deveria ser assim! Logo o pintor tomou uma reacção, e desta vez, em vez de re-pintar os joelhos, disse " «Ne supra crepidam sutor judicaret»" que significa, "Não deve o sapateiro julgar, acima das Sandálias" ou mais comum "Sapateiro, aos teus sapatos!"...


...e depois desta longa introdução ( a mais longa até agora), vem o sumo:
Hoje, enervo-me um pouco com as larachas/postas de pescada/baldes que cada um manda, sem saber minimamente do que fala! Deparo-me com pessoas a discutir comigo assuntos da minha profissão, como se soubessem mais que eu. E nem depois de dizer o que faço, e que sei mais, estudei mais, aprendi mais e tenho mais experiência em determinado assunto, as pessoas se demovem de pensar que têm razão. Isto dá-me que pensar: aquele que pensa que sabe tudo, é-lhe impossível evoluir, da mesma forma que um copo cheio, não pode levar mais (pode é estar cheio de água estagnada, ou de pó, mas certamente, não vai lá caber mais nada!). Tem cuidado, por isso, com os "copos cheios" e com os "sapateiros", não vás tu desaprender o que sabes, ou pior ainda, ser um deles...


"Apeles e o sapateiro" de Giorgio Vasari